A Operação Falso Negativo revelou a existência de uma “lista VIP” que privilegiou mais de 170 pessoas, entre elas, políticos, na aplicação de testes... Secretaria da Saúde do DF mantinha lista VIP de pessoas que tinham prioridade nos testes de Covid-19

A Operação Falso Negativo revelou a existência de uma “lista VIP” que privilegiou mais de 170 pessoas, entre elas, políticos, na aplicação de testes de Covid-19 no Distrito Federal (DF).

Conversas de celulares feitas em março e junho, obtidas pelo Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) com autorização da Justiça mostraram que, Francisco Araújo, que foi preso e afastado da secretaria da Saúde nesta terça-feira (25), exigiu agilidade do diretor do Laboratório Central do DF, Jorge Antônio Chamon Júnior, que também está preso, nos resultados dos exames do ex-senador Luiz Estevão e do ex-governador José Roberto Arruda.

Araújo, Chamon Júnior e outros quatro integrantes da cúpula da secretaria da Saúde são suspeitos de formar uma organização criminosa que desviou recursos públicos e superfaturou a compra de testes rápidos para Covid-19. Os testes eram de baixa qualidade e poderiam dar resultados falso negativo, nome que batizou a Operação.

Todos os seis integrantes estão presos preventivamente e alegaram inocência. Eles foram afastados dos respectivos cargos pelo governador Ibaneis Rocha (MDB-DF – na foto).

Ele disse que a Operação foi “desnecessária” e que os servidores foram “indevidamente” acusados.

A defesa do secretário afastado negou as denúncias de corrupção e lavagem de dinheiro, mas não se pronunciou sobre a “lista VIP”.

Os advogados de Luiz Estevão e José Roberto Arruda também não quiseram comentar o caso.

A Operação Falso Negativo começou em julho. Segundo O MPDFT, houve direcionamento e superfaturamento em dois processos de compra de testes rápidos para a Covid-19 no Distrito Federal. As licitações foram dispensadas e os prejuízos são estimados em R$ 18 milhões.

Empresas de vários estados eram pré-selecionadas para o fornecimento do material e elas definiam critérios no edital de compra.

Com este direcionamento, até uma empresa atacadista e importadora de brinquedos, a Luna Park, de Santos (SP), fechou contrato de R$ 16,2 milhões.

Ela ofereceu o maior valor por unidade de teste na dispensa de licitação, apresentou a documentação fora de prazo e o teve a proposta rejeitada no primeiro parecer. Mesmo assim, foi escolhida para fornecer 90 mil testes.

O MPDFT revelou que o processo de contratação durou apenas dois dias e que a Luna Park chegou a indicar itens não previstos, como teste para detecção de hepatite C.

Em nota, a defesa da empresa disse que ela “jamais foi beneficiária, em procedimentos licitatórios, de vantagens e ou favores de órgãos públicos e, nunca causou qualquer prejuízo ao erário em suas atividades comerciais. Possui autorização para importação e venda de produtos destinados ao combate ao Covid-19 e comercializa, também, outros produtos de acordo com seu objeto comercial. Registre-se, apesar de já ter fornecido os testes em abril de 2020, a Secretaria de Saúde do Distrito Federal, até o momento, não efetivou o pagamento pela compra efetivada, apesar de já ter utilizado os testes adquiridos, fato esse que vem causando grande prejuízo às suas atividades”.

Outro contrato suspeito de irregularidade é de compra de 100 mil testes rápidos da empresa Biomega, de São Paulo, por R$ 19 milhões. De acordo com as apurações, o secretário Francisco Araújo “mantinha tratativas extraoficiais com o setor privado para o fornecimento de serviços”.

A princípio, eram 90 mil testes previstos, mas a empresa conseguiu ampliar para 100 mil e decidir previamente onde seriam contratados os 15 pontos de drive-thru para a realização dos testes.

Em nota, a Biomega informou que é um laboratório de análises clínicas que “participou de um processo licitatório para prestação de serviços de exames laboratoriais de anticorpos para a Covid-19. O serviço incluiu montagem de tendas, disponibilização de mobiliário apropriado, alocação de recursos humanos nas áreas administrativa, técnica e de analistas especializados na leitura dos testes, que assinam os laudos. Também fez parte da prestação de serviço a locação de carros e a contratação de empresa especializada para a remoção do lixo hospitalar. O contrato firmado previa a realização de exames em 100 mil pessoas, tendo havido aditamento para a inclusão de outras 50 mil pessoas examinadas”.

O MPDFT denunciou a cúpula afastada da secretaria de Saúde por fraude à licitação, lavagem de dinheiro, organização criminosa, corrupção ativa e passiva, e ainda poderá enquadrá-la como cartel:”É a maior organização criminosa entranhada no atual governo do DF, que se alimenta da morte de inúmeras vítimas da Covid”.

Equipe TV Democracia

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