A Folha noticia hoje que 59% dos brasileiros são contra a renúncia do Bolsonaro. Eu me incluo entre eles. Se é para deixar o... Sua Excelência, o Ex-Presidente Bolsonaro

A Folha noticia hoje que 59% dos brasileiros são contra a renúncia do Bolsonaro. Eu me incluo entre eles. Se é para deixar o Poder, que o faça pelo caminho do impeachment ou da interdição por motivos psiquiátricos. Renúncia é covardia. Jânio Quadros, uma espécie de Bolsonaro alfabetizado, já provou que não funciona quando o efeito esperado é um autogolpe de Estado. Não, Bolsonaro não vai renunciar, cumprindo o que esses quase 60% esperam dele.

Os 37% que querem a renúncia estão perdendo tempo e drenando uma energia muito importante em tempos de coronavírus. Seria demais pretender que Bolsonaro fosse capaz de um gesto generoso como esse — o de nos livrar de sua presença na cadeira mais importante do País.  Ele não fará isso.

E não fará porque tem razões muito sólidas para tanto. O filho Flávio está enrolado com rachadinha, milicianos, peculato e outras coisitas menos doces do que os panetones da Kopenhagen. O 02 não pode ouvir nem falar no assassinato de Marielle Franco que já fica apoplético. O 03 está metido até o pescoço com fake news. E os fantasmas de Adriano da Nóbrega e Gustavo Bebianno, dizem, andam assombrando o Planalto Central. São as batatas que esperam os vencedores das eleições de 2018.

Vendo por outro lado, a renúncia, a esta altura, não tem nenhum sentido prático. Pelo que se viu nos últimos dias, os generais e os políticos de algum juízo, cansados das esquisitices do chefe, botaram uma camisa-de-força institucional em Bolsonaro. Uma junta médica composta por Rodrigo Maia, Davi Alcolumbre, Braga Neto e Dias Toffoli decretou, na prática, sua interdição branca. Agora ele pode fazer o que mais gosta: dar pitis e ter delírios de Mussolini, Pinochet, Médici e Brilhante Ustra. Enquanto isso, alguém vai tocando por ele as chatices da arte de governar.

Na prática, já é Sua Excelência, o ex-Presidente Jair Bolsonaro. O que faz dele um recordista histórico. Para chegar onde Bolsonaro está agora, José Sarney levou quatro anos de um governo sofrível até que o garçom se recursou a servir o cafezinho pela primeira vez.

Como é dado a chiliques, espera-se de Bolsonaro barracos homéricos toda vez que se der conta de que está sendo tutelado para que o País possa seguir adiante. É normal que reaja assim, como aliás já fez no affair Luiz Henrique Mandetta. Exposto aos holofotes da sensatez pela crise do coronavírus, Mandetta deixou Bolsonaro na sombra. Em outras ocasiões, isso teria sido mortal para ele. Felizmente, Bolsonaro já não pode mais nada – não tem força nem para demitir um subordinado.

É!, vida de pato manco não é fácil.

Fabio Pannunzio

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