Em meio a mais uma rodada de desavença política entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), o... Suícidio, e não a Coronavac, foi causa de morte de voluntário: Butantan critica Anvisa

(foto Beno Suckeveris)

Em meio a mais uma rodada de desavença política entre o presidente Jair Bolsonaro e o governador de São Paulo, João Doria (PSDB-SP), o país segue sem controlar a pandemia do coronavírus.

Até às 13h desta terça-feira (10), a doença já havia causado a morte de 162.672 pessoas e infectado outras 5.679.212.

Os dados são do consórcio de veículos de mídia.

Ontem à noite (9), a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) suspendeu temporariamente os testes com voluntários brasileiros da vacina Coronavac desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac em parceria com o Instituto Butantan de São Paulo.

A alegação foi que um voluntário teve “efeito adverso grave”.

A decisão surpreendeu o Instituto Butantan e serviu para o presidente Jair Bolsonaro se considerar vitorioso sobre o governador paulista, um potencial adversário político nas eleições de 2022.

O presidente costuma chamar a Coronavac de “vacina chinesa do Doria”.

Nesta terça-feira (10), em coletiva de imprensa, o presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou que “todos” os dados foram fornecidos à Anvisa e que o caso relatado não tem nada a ver com os testes da vacina.

De fato, o voluntário de 33 anos se suicidou no dia 29 de outubro. Ele participava dos testes realizados no Hospital das Clínicas de São Paulo.

Outro voluntário de Porto Alegre morreu por motivo alheio à vacina. Ele tinha recebido um placebo, uma substância inócua, mas, na ocasião, a Anvisa não suspendeu a pesquisa.

No começo da tarde de hoje (10), o diretor-presidente da Anvisa, Antonio Barras Torres, negou que a decisão de paralisar os testes tenha sido política, e que ela foi “técnica”.

Ele criticou o Butantan por repassar informações “insuficientes e incompletas”.

“Documentos claros, precisos e completos precisam ser enviados a nós, o que não aconteceu. O que recebemos ontem não nos dava nenhuma outra alternativa”, declarou Torres.

Ele confirmou que não sabia sobre o suicídio do voluntário.

“Objetivamente, não havia essa informação (sobre o suicídio) dentre as que recebemos ontem. Quanto a questão de ouvir ou não o Instituto Butantan, não é atribuição da agência tomar essa decisão”.

“Em caso de dúvida, paramos. Pergunto: que mal há em aguardar os documentos? Por que o motivo de correria? Por quê? A ansiedade parece ser maior do que a de todos nós temos aqui na Anvisa que é de fornecer uma resposta”, destacou.

Ele enfatizou que a Anvisa não é parceria de nenhum fabricante ou instituto, mas, sim, o “árbitro” na análise dos procedimentos.

“A imagem que coloco é a do árbitro entre aquilo que foi feito certo e ao arrepio da norma e emite seu juízo de valor”, afirmou Barra Torres, que não falou quando ia liberar os testes da Coronavac agora que tem a informação completa sobre o caso do voluntário.

Covas criticou a suspensão, disse que o assunto poderia ter sido resolvido administrativamente e que a questão provoca “dor e sofrimento nos voluntários”.

“Se interromper um estudo clínico que está indo muito bem causa sofrimento, causa dor, causa insegurança, naquelas pessoas que já foram submetidos ao estudo, causa dificuldade naqueles que querem ser submetidos ao estudo e que estão na fila para receber a vacina ou o placebo. Ou seja, são os voluntários, as pessoas que se dedicaram a esse estudo exatamente para trazer a esperança da vacina”.

Equipe TV Democracia

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