O teletrabalho ou home office é um novo indicador das desigualdades econômicas do país. O sistema cresceu desde março com o isolamento social provocado... Teletrabalho se concentra no Sudeste e era realizado por 10% da população ocupada do país em julho

O teletrabalho ou home office é um novo indicador das desigualdades econômicas do país.

O sistema cresceu desde março com o isolamento social provocado pela pandemia do coronavírus.

De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílio Covid-19 (Pnad Covid19) medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em julho, 4,9 milhões dos 8,4 milhões de trabalhadores remotos estavam no Sudeste e apenas 252 mil trabalham desta maneira no Norte, a região mais pobre do país.

Cerca de 10% da população ocupada no Brasil estavam em regime de home office em julho.

Desta fatia, 13% moravam no Sudeste e somente 4% trabalhavam em casa diante do computador na região Norte.

Apesar da principal atividade econômica do Centro-Oeste seja a agricultura, 9% da população ocupada estava em teletrabalho.

Para o professor João Luiz Maurity Saboia, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), “o home office não é para qualquer um, é para determinadas ocupações e setores. É um benefício adicional para os mais qualificados, especialmente para a parcela que tem curso superior completo”.

Outro professor, Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (FGV-Ibre), lembra que o Sudeste tem uma infraestrutura de rede mais ampla e conexões mais ágeis de internet que favorecem o teletrabalho, e a região concentra empresas mais sofisticadas e um número maior de trabalhadores qualificados do que o Norte e o Nordeste.

“No Sudeste, a internet chega a um número maior de pessoas e há mais predisposição para se trabalhar em casa, pois isso reduz o tempo perdido no deslocamento, por exemplo”.

A Pnad-Covid19 constatou que, de aproximadamente 15% (1,3 milhão) da população ocupada trabalhavam em teletrabalho sem registro na carteira, ou seja, eram informais.

Em julho, outra pesquisa da Fundação Instituto de Administração (FIA) e a Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA), da Universidade de São Paulo (USP) mediu a satisfação e o desempenho na migração para o home office entre executivos, técnicos de nível superior, professores e pesquisadores, principalmente, no Sudeste.

O coordenador do estudo, professor André Fischer, explicou que” serviços financeiros, educacionais e de consultoria estão muito centrados em São Paulo, ou Rio”, daí a concentração na região.

Apesar de não ser possível ainda ter certeza se o home office veio para ficar depois da pandemia, a pesquisa revelou que, 76% demonstraram uma percepção positiva sobre o sistema.

“Muitas das barreiras cognitivas que existiam, como a resistência para atuar fora da empresa por acreditar que iria causar algum tipo de dificuldade, foram superadas. Ficou demonstrado que é possível exercer algum tipo de gestão sem estar necessariamente do lado do funcionário”, disse Fischer.

Equipe TV Democracia

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