Mais civilizado do que o primeiro debate, o segundo e último embate entre o presidente republicano Donald Trump, candidato à reeleição, e o democrata... Trump e Biden travam debate mais civilizado antes das eleições do dia 3

Mais civilizado do que o primeiro debate, o segundo e último embate entre o presidente republicano Donald Trump, candidato à reeleição, e o democrata Joe Biden discutiu seis temas na noite desta quinta-feira (22), em Nashville, no Tennessee.

As eleições americanas acontecem no próximo dia 3 de novembro.

A mediadora do debate foi a apresentadora Kristen Welker, da CBS News.

Ela não precisou silenciar qualquer microfone para evitar apartes inadequados enquanto um dos candidatos falasse.

Seis temas foram discutidos durante 1h e meia.

O primeiro foi a pandemia do coronavírus.

Segundo dados divulgados pela Universidade Johns Hopkins (EUA) às 17h desta sexta-feira (23), os EUA têm os piores números do mundo: 223.602 mortes e 8.458.554 casos, entre eles, o do próprio Trump.

Apesar disso, ele disse que a taxa de mortalidade dos EUA é “uma das menores do mundo” e que uma vacina “está chegando” em semanas, sem dizer quando.

Biden rebateu citando as mortes no EUA como motivo para que qualquer responsável por isso não deveria continuar na presidência. Ele previu que haverá mais 200 mil americanos mortos. “Este é o mesmo sujeito que disse que tudo terminaria na Páscoa. Ele não tem um plano claro”, se referindo a Trump, é claro.

Em tom de conformismo, o republicano declarou: “Estamos aprendendo a viver com isso [o coronavírus]. Não temos escolha. Não podemos nos trancar no porão, como Joe faz”.

Biden criticou a atitude de Trump: “Ele está dizendo que estamos aprendendo a viver com isso. Mas as pessoas estão aprendendo a morrer com isso”. Falou que o republicano não alertou que o vírus era perigoso e não assumia responsabilidade.

Foi neste momento que o presidente surpreendeu o adversário: “Eu assumo total responsabilidade por isso”.

Mas, não poupou a China: “Não é minha culpa que isso [o vírus] chegou aqui. Nem é culpa do Joe. É culpa da China”.

O segundo tema tratou da questão racial.

Para espanto da mediadora negra, o líder republicano declarou que “desde Abraham Lincoln, nenhum presidente fez mais pelos negros do que eu e que era a pessoa menos racista nesta sala”.

Biden não perdeu a chance de ironizar o adversário: “Esse Abraham Lincoln aqui é um dos presidentes mais racistas que já tivemos na história moderna”.

Lincoln foi o presidente que aboliu a escravidão nos EUA no século XIX.

O democrata listou várias situações em que o rival fez menções racistas ao México, que “enviava traficantes e estupradores aos EUA”, e ao movimento Vidas Negras Importam e que “ele joga combustível em cada incêndio racista”.

O terceiro assunto da noite foi a imigração.

Biden classificou como “criminosa” a separação de 545 crianças dos pais, imigrantes ilegais que foram deportados aos países de origem pelo governo Trump.

Ele respondeu dizendo que a Casa Branca está tentando localizar os pais, acusou-os de entrarem com muitas crianças no pais trazidas por “coiotes e cartéis”.

Tentou amenizar a gravidade da crise, afirmando que elas estão “bem cuidadas e em instalações muito limpas” e aproveitou para criticar o antecessor Barack Obama, cujo vice foi Biden.

O presidente afirmou que as celas para onde os imigrantes ilegais são colocados, que chamou de “jaulas”, foram construídas no governo anterior e que Obama não fez nada quando estava no poder.

Ele repetiu várias vezes a provocação para o adversário: “quem construiu as jaulas?”

Biden não defendeu Obama.

Rebateu que era o vice, não o chefe de estado, e que o ex-companheiro de chapa “demorou muito” para agir no problema da imigração e fez uma promessa.

“O fato é que deixei bem claro que dentro de 100 dias vou enviar ao Congresso dos Estados Unidos um caminho para a cidadania para mais de 11 milhões de indocumentados (imigrantes ilegais)”.

No tema seguinte, as mudanças climáticas, Biden voltou a enfatizar a importância de investir em energias renováveis, inclusive como fonte geradora de novos empregos.

Ele lembrou que Trump afirmou no passado que energia eólica seria causadora de câncer.

O líder republicano disse que sabe mais sobre vento do que o adversário e que isso é “caro e mata pássaros”.

Novamente, Trump acusou o democrata de ser o favor da proibição do fracking, uma técnica de exploração de petróleo e carvão altamente nociva ao meio ambiente.

Como nas vezes anteriores, Biden ficou visivelmente irritado por ter que desmentir mais uma vez e desafiou a publicar um vídeo em que ele aparece falando contra o fracking.

O penúltimo tema foi a liderança dos EUA.

Numa referência às suspeitas do diretor de Inteligência Nacional, John Ratchliffe, de que o Irã e a Rússia estariam tentando interferir nas eleições, Biden ameaçou punir qualquer país que tentar interferir na soberania americana: “Irá pagar um preço”.

Ele também acusou Trump de se omitir diante do presidente russo, Vladimir Putin, e que o “grande amigo” dele, o advogado e ex-prefeito de Nova York, Rudy Giuliani, foi usado como “peão russo” e nada aconteceu.

Trump revidou com um golpe já esperado, o de ataque ao filho de Biden, Hunter, a quem denunciou de ter negócios escusos na Ucrânia, mas também afirmou, sem apresentar provas, que o rival teria recebido “US$ 3,5 milhões através do prefeito de Moscou”.

Ele negou que tenha sido submisso na relação com Putin: “Não houve ninguém mais duro com a Rússia do que Donald Trump”.

Biden se defendeu, declarando que nunca recebeu dinheiro de “nenhuma fonte estrangeira” e contra-atacou:
“Soubemos que esse presidente pagou 50 vezes mais imposto na China, tem uma conta bancária secreta na China, faz negócios na China e, de fato, está falando em eu pegar dinheiro? Eu não peguei um único centavo de qualquer país, nunca”.

Equipe TV Democracia

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