O presidente dos EUA e candidato à reeleição, o republicano Donald Trump, disse nesta quinta-feira (9) que não vai participar de um debate virtual... Trump se nega a participar de debate virtual com Biden: Harris e Fence fazem debate “civilizado”

O presidente dos EUA e candidato à reeleição, o republicano Donald Trump, disse nesta quinta-feira (9) que não vai participar de um debate virtual com o adversário democrata, Joe Biden, no próximo dia 15.

Trump se recupera da Covid-19 na Casa Branca e Biden propôs o debate por videoconferência no lugar do presencial marcado para Miami, na Flórida.

“Eu não vou perder meu tempo com um debate virtual, essa não é a ideia de um debate. Senta-se atrás de um computador e se debate, é ridículo. Isso não é aceitável para a gente”, declarou o presidente americano.

Ontem (7) à noite, na Universidade de Utah, em Salt Lake City, foi realizado o primeiro e único debate entre os candidatos a vice, o republicano Mike Fence e a democrata Kamala Harris.

Foi bem mais civilizado do que o que reuniu Trump e Biden, em Cleveland (Ohio).

A pandemia, que já matou 211.814 pessoas e infectou 7.551.715 casos nos EUA (dados divulgados pela Universidade Johns Hopkins nesta quinta-feira), país que tem os maiores números no mundo, foi o primeiro assunto da discussão.

Kamala criticou o governo Trump: “O povo americano testemunhou o que é o maior fracasso de qualquer administração presidencial na história de nosso país”.

Fence, que é o chefe da força-tarefa de combate à pandemia, se defendeu dizendo que Trump colocou os EUA em primeiro lugar:”Ele fez o que nenhum outro presidente fez: proibiu viagens da China, e o senador Biden disse que isso era xenofobia e isso salvou milhares de vidas”.

Sem citar o livro do jornalista Bob Woodward, que entrevistou o presidente várias vezes sobre o tema, a democrata acusou o governo de esconder dados:”O presidente e o vice sabiam sobre os perigos, inclusive da transmissão pelo ar, e não informaram a população”.

Ela disse que, se Biden for eleito, a futura administração terá foco em “ampliar rastreamento de contato e testes, na administração da vacina e em certificar-se de que ela será gratuita para todos”.

Pence ressaltou a transparência adotada por Trump ao informar sobre o estado de saúde durante o tratamento de Covid-19 e sofreu novo ataque da adversária.

Harris disse que Biden é transparente não só em relação à saúde, mas a todo o resto em sua longa vida pública, enquanto Trump esconde dados como suas declarações de impostos e dívidas, que só vieram a público depois de reportagem recente do “New York Times”.

“Para que todos entendam, quando falamos em dívida, significa que você deve dinheiro a alguém. Seria muito bom saber a quem o presidente dos Estados Unidos, o comandante-chefe, deve dinheiro. Porque o povo americano tem o direito de saber o que está influenciando as decisões do presidente”.

Sobre economia, o atual vice acusou Biden de querer interromper o corte de impostos.

Harris respondeu que a medida não valeria para quem ganha menos de US$ 400 mil por ano e que a saúde da economia se baseia na saúde do trabalhador e da família, mas Trump “mede a economia pela quantidade de pessoas ricas”.

Pence defendeu a política sobre meio ambiente e que tem a atual administração tem orgulho de seus dados sobre o assunto.

Ele criticou os democratas pelos planos de voltar ao Acordo Climático de Paris, a criação do Green New Deal (medidas de estímulos a uma economia mais sustentável e menos poluidora) e o fim do fracking (método de extração de gás e petróleo baseado na injeção de material sob pressão no subsolo, provocando fraturas e mais poluição), o que iria “arrasar famílias americanas”.

Harris negou que Biden vai banir o fracking e disse ainda que o democrata pretende criar empregos, e que milhões deles virão do uso de energia limpa e renovável. “Joe acredita na ciência. Vamos voltar ao Acordo Climático com orgulho. Já esta administração tirou as palavras Ciência e Mudanças Climáticas de seu site”.

Ela acusou Trump de perder a guerra econômica contra a China.

Fence rebateu:”Perder a guerra econômica com a China? Biden nunca a disputou!”.

Os dois também discutiram a indicação da juíza ultraconservadora Amy Coney Barrett para a Suprema Corte.

Para a oposição, a nomeação de Trump não poderia acontecer em ano de eleição presidencial.

Kamala, que é negra, filha de uma cientista indiana e de um imigrante jamaicano, ficou irritada durante a discussão sobre racismo.

Ela citou dois casos emblemáticos, o da morte de Breonna Taylor e a violência contra George Floyd.

A democrata afirmou que a família de Taylor não teve a justiça que merecia e que, no caso de Floyd, “nunca vamos tolerar a violência, mas devemos lutar pelos valores que prezamos”.

Ela exigiu haver reformas na polícia e na justiça criminal, e defendeu a proibição de estrangulamentos, a exigência de registro nacional para policiais que infringirem a lei, o fim das prisões privadas, da fiança em dinheiro e a descriminalização do porte de maconha.

Pence lamentou o caso de Taylor, assassinada pela polícia durante uma desastrada operação, disse que acredita no sistema de justiça:”Em relação a George Floyd, não há desculpas para o que aconteceu, mas a justiça será feita e que não existe razão que justifique os protestos violentos”.

“Essa ideia de que a América é sistemicamente racista e de que há preconceito implícito na aplicação da lei, como dizem Biden e Harris, é um grande insulto para os homens e mulheres que trabalham nesse setor”, acrescentou.

Kamala, que já foi procuradora federal na Califórnia, respondeu irritada.

Ela disse que era a única naquele palco a já ter acusado legalmente uma série de criminosos de todos os tipos. “Não vou sentar aqui e ouvir uma palestra do vice-presidente sobre o que significa fazer cumprir as leis do nosso país. Eu sou a única neste palco que processou pessoalmente de tudo, desde agressões sexuais infantis a homicídio”.

A democrata citou Trump, que não condenou o grupo supremacista branco que atacou antirracistas em Charlottesville (Virgínia), em 2017, durante o debate com Biden.

Na ocasião, ele disse que havia pessoas boas “dos dois lados” e ignorou o fato de uma mulher ter sido atropelada e morta pelo grupo de extrema-direita.

Sobre as eleições presidenciais do dia 3 de novembro, Fence declarou “não ter dúvidas” de que os republicanos vão vencer novamente, mas não comentou sobre uma possível transferência pacífica de poder.

Trump colocou o resultado de uma eventual derrota sob suspeita de fraude por causa dos votos pelos correios.

A senadora californiana, que poderá ser a primeira mulher negra na vice-presidência se Biden For eleito, lembrou que, além de democratas e independentes, a chapa conta com o apoio de vários republicanos e de mais de 500 generais da reserva, e pediu que os eleitores votem em massa.

Nos EUA, o voto não é obrigatório e os democratas temem um baixo comparecimento às urnas por causa da pandemia.

Equipe TV Democracia

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