Horas depois de ter sido afastado do governo do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ) se disse perseguido pelo governo federal, pela Procuradoria-Geral da... Witzel se diz vítima de perseguição política do governo Bolsonaro, da PGR e chama ex-secretário de “bandido”

Horas depois de ter sido afastado do governo do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC-RJ) se disse perseguido pelo governo federal, pela Procuradoria-Geral da República (PGR) e atacou o ex-secretário de Saúde, Edmar Santos, que o delatou para a Justiça.

Foi em coletiva de imprensa realizada na manhã desta sexta-feira (28), no Palácio das Laranjeiras, na zona sul do Rio de Janeiro.

Witzel falou que está “indignado”: “Mais uma vez quero manifestar a minha indignação e uma busca e apreensão e, mais uma vez, é uma busca e decepção. Não encontrou um real, uma joia, simplesmente mais um circo sendo realizado. Você não pode afastar um governador com a suposição de que ele vai fazer algo.”

Ele pediu a abertura de investigação de um suposto “uso político da PGR: “Eu e outros governadores estamos sendo vítimas do uso político e digo, possível. Isso precisa ser investigado: o uso possível uso político da instituição. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui vários subprocuradores. Por que não se faz, como em qualquer outro Ministério Público, a distribuição e não o direcionamento para um determinado procurador: no cado a Dra. Lindora [Maria Araújo, que chefia a Lava Jato na PGR). E a imprensa já noticiou o seu relacionamento próximo com a família Bolsonaro”.

A PGR foi autora do pedido de afastamento de Witzel do governo do Rio, o que foi aceito pelo STJ e deflagrou a Operação Tri in Idem da Polícia Federal.

Além de Witzel, a Operação teve como alvos a mulher dele, Helena, que é advogada e teria usado o escritório do qual é dona, para receber mais de R$ 500 mil em propinas de fornecedores da secretaria estadual da Saúde; o vice-governador Cláudio Castro (PSC-RJ), que mesmo assim vai assumir o cargo; o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Lucas Tristão, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj),André Ceciliano (PT-RJ), o ex-prefeito de Volta Redonda, Sebastião Gothardo Lopes Netto; o presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo, e o desembargador do Trabalho, Marcos Pinto da Cruz.

O governador também atacou o ex-secretário de Saúde, Edimar Santos, que chegou a ser preso e fez acordo de delação premiada com o Ministério Público do Rio de Janeiro.

“Edmar nos enganou a todos. Um tenente-coronel da Polícia Militar, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), ex-diretor do (Hospital) Pedro Ernesto. Esse vagabundo entra na saúde do Rio de Janeiro quando eu avisei que não toleraria corrupção e não tolero corrupção. Tentou ludibriar a todos nós”.

Witzel continuou o ataque: “Eu mudei o secretário de Saúde, eu afastei o secretário de Saúde, eu exonerei o Gabriell Neves [subsecretário], eu determinei o banimento das Organizações Sociais (OSs) do nosso estado porque entendi que elas, infelizmente, não atendem o interesse público. Eu determinei auditoria em todos os contratos e a suspensão do pagamento. Que só paguem após auditoria. Afastamento de 180 dias? Por quê? Em dezembro eu tenho que escolher o novo procurador-geral de Justiça. Isso é um ultraje à democracia. Busca e apreensão na casa do vice-governador? Busca e apreensão na casa do presidente da Alerj? Com base em uma delação mentirosa de um homem desesperado, de um bandido que nos enganou a todos.”

Ele questionou os motivos do afastamento do governo do Rio: “A questão jurídica é extremamente delicada porque, da última busca e apreensão, até a busca e apreensão de hoje, qual foi o ato que eu pratiquei para impedir as investigações? Eu desafio quem quer que seja a dizer qual foi o ato que eu pratiquei desde o início das investigações até agora para atrapalhar as investigações”.

O afastamento pelo prazo de seis meses foi determinado pelo ministro Benedito Gonçalves, do STJ. Ele negou que fosse cumprida ordem de prisão contra Witzel.

Equipe TV Democracia

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